Tapeando o tempo

 

Você pode constatar que a idade chegou ao ter que encarar seu próprio rosto no espelho e notar aquelas indesejáveis rugas. Os fios grisalhos do cabelo podem tentar te convencer sobre a presença do tempo, mas ele nunca está presente, ele apenas... passa.

Meus dentes podem estar mais amarelados, os sulcos sob meus olhos são mais evidentes do que há alguns anos atrás, mas isso não vai me impedir de sorrir. Meus olhos estão cansados, preciso de auxílio de óculos. Miopia, hipermetropia e toda outra pia que conhecer, eu tenho. Mas não é por isso que deixarei de observar o sol se pondo. Continuarei escalando montanhas para ver as paisagens que ainda não vi.

Meu corpo já não exibe músculos e traços da juventude, pelo contrário. Minha barriga ganhou volume e minha pele perdeu a flexibilidade de antes. Mas continuo caminhando no parque e, nos dias de sol, tirando a camisa para absorver o seu calor.

Eu já não consigo correr como antes, o que dizer então de subir escadas. Mas lentamente eu galgo todos os degraus que a vida me coloca. Não importa se farei isso com ajuda de uma bengala, mas sim o fato de eu me encontrar no topo.

Ainda consigo ouvir – ok, confesso que não tão bem quanto antes -, e por isso eu saio para dançar. Dança de salão, clube do bairro ou festas da terceira idade, não importa. Eu estou sempre presente.

Os bolos não mais comportam a quantidade de velas que representam minha idade, mas que diferença isso faz? O tempo insiste em passar por mim, ano após ano. Mas mal sabe ele, que eu vivi e continuo vivendo cada segundo que passa. Filhos, netos e talvez eu ainda veja um bisneto.

Talvez

Não darei certeza, vamos deixar o tempo passar. Ou melhor, vamos deixar ele pensar que por mim passa.

 

£!



Escrito por £éo às 18h33
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Perto de você

 

Eu quero ir embora, desligar tudo e partir. Ou então, deixar tudo ligado e apenas partir. Celular, computador e até a o carro ligado, se for necessário. As horas passam lentas e o meu dia gira em torno de você.

Minha cabeça está sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo, no mínimo. Eu estou aqui, mas meus pensamentos estão aí, ao seu lado. Sempre que acontece algo bom, lembro de você. E quando as coisas não saem como eu planejo, volto a pensar em você para buscar forças e tentar novamente.

Mas deu a hora do expediente, meus e-mails críticos vão ficar para depois. A ligação do chefe, infelizmente não será atendida. Eu tenho que correr. Correr para você, que sempre espera por mim e sempre me recebe com um sorriso espantado nos lábios.

Eu acordo e vou ao seu encontro, para ter certeza que terei a chance de vê-la acordando. A chance de estar ao seu lado, cada segundo da minha vida, é a coisa mais importante pra mim. Você me traz paz.

Não há nada nesse mundo que me agrade mais, do que vê-la feliz. E é por isso que faço tudo para estar tão próximo. Não quero mais envelhecer, não quero mais crescer, pois eu passei a ver graça nas coisas. Você me trouxe isso e não quero deixar de viver assim.

Não importa o caminho que você siga na vida, eu estarei por perto. Pois eu faço o que for preciso para ter o seu sorriso e apreciar o seu olhar. E é olhando para seus olhos, que eu me orgulho. Quanto mais olho para você, mais grato eu sou.

Pois você, minha filha, tem o olha dela.

 

£!



Escrito por £éo às 21h58
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Procurando você

 

Sentado na calçada eu observo o movimento da rua. Vejo aquele cabelo loiro bem cuidado, esvoaçando com a lufada do vento. Seu sorriso é contagiante e realmente chama atenção. Sua conversa é agradável, mas podemos parar por aí. Pois nem sempre dá para se dialogar com alguém que só te procura quando quer. A cabeça é meio fraca, sabe? Não vale a pena dar atenção.

Andando no sentido contrário tem um par de olhos claros. Outra coisa que chama a atenção ao ver. Cabelos mais discretos, que ora estão com uma cor, ora estão com outra. Seu sorriso também é contagiante. Uma cabeça mais culta, mas... é apenas o que aparenta. Será que é mesmo? Suas atitudes não condizem com essa suspeita. Acho que é melhor descartar também.

Ah, tem aquela morena. Eu adoro uma morena. Olhos e cabelos castanhos, nada que salte aos olhos. Mas seu jeito manhoso e sedutor cativa. Outrora estava fora de forma, hoje desfila um corpo atraente. Bem sucedida, inteligente e cheia de dengo comigo. Mas vamos parar novamente... Talvez seja independente demais, seja complicada demais, seja... problemática demais. Eu quero o simples, não vamos complicar, né?

Tem aquela outra que eu pouco conheço, e pode colocar ‘pouco’ nisso. Não dá para se ter idéia. Não dá para tecer comentário ou opiniões. Inicialmente esboçou um interesse, mas depois... me confundiu. Um misto de amor e ódio que não soube identificar. Soube apenas que, não é o que procuro.

O movimento está fraco, não vejo mais belas mulheres passando pela rua. Insisto e quando penso em desistir ouço uma voz que me chama pelas costas. Ao me virar, a porta da minha casa se abre. Aquele sorriso inocente, os olhos que transmitem o mais verdadeiro sentimento e o rosto meigo a qual eu confesso que não esqueci. Conheço essa mulher e descubro que é ela que eu sempre quis. Era ela que eu buscava encontrar nas outras que passavam pela rua.

Levanto-me da calçada, caminho com um sorriso escapando dos lábios e vou ao seu encontro. Abraço-a e descubro que não devia ter procurado na calçada, a minha mulher sempre esteve dentro de casa, esperando por mim...

£!



Escrito por £éo às 22h08
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Momentos 

 

Você se lembra de gritar até perder a voz em um parque, um show ou em uma balada? Talvez sim, mas você se lembra do que realmente estava sentindo naquele momento? A adrenalina correndo pelo seu corpo, o coração batendo acelerado, os pêlos se arrepiando e, talvez, os olhos se enchendo de lágrimas. Você pode se lembrar de ter sentido esses sintomas, mas você não se lembra como realmente é essa sensação. Você apenas lembra que é muito boa!

As fotos podem registrar paisagens, momentos, cenários e lugares incríveis que tenha visitado. Com uma câmera, você pode guardar o som, o barulho do vento, e até o seu depoimento naquele momento, mas... aposto que nesse vídeo você vai dizer que a sensação é inexplicável. Você pode até filmar e gravar sua voz falhando, seus pelos eriçando, mas... Como é sentir isso? Você realmente não sabe. É assim que tem que ser!

Momentos como esses não podem ser gravados, fotografados e nem mesmo a sensação pode ser relembrada. Não faria sentido vivê-los se pudéssemos matar a saudade através da lembrança, ou de um arquivo digital. Não teria a menor graça!

E por causa de momentos como esse, é que temos a árdua missão de satisfazer nosso corpo e nossa mente. Temos a impulsiva necessidade de buscar sentir isso novamente. Sair com os amigos, viajar para outros lugares, ouvir novas músicas, viver a vida! Portanto, abuse das lembranças, compartilhe fotos, vídeos, músicas, mas... lembre-se que tudo não passar de pequenos fragmentos do verdadeiro momento que viveu, e que não é possível revivê-lo.

Sendo assim, extrapole. Busque perder a voz, sentir o coração acelerar, o frio na barriga, o arrepio na pele. E quando sentir isso novamente, não se apegue às lembranças, mas sim no próximo passo e ele começa com a resposta da seguinte pergunta: O que você vai fazer amanhã?

£!



Escrito por £éo às 21h45
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Minha estranha inspiração

 

 

 

 

Um escritor não pode querer uma situação melhor para escrever do que repousar em sua casa de campo. Algumas casas têm vista para um tranqüilo lago, outras estão próximas da floresta, onde o som dos pássaros pode trazer a calma e a inspiração para sua próxima obra.
O importante é termos o nosso espaço para escrever. Para que nosso talento seja despejado sobre as folhas de papel e, em seguida, seja o deleite de seus leitores.
Meu refúgio não é tão excepcional. Nada de lago, nada de floresta. Mas confesso que meu refúgio fica em uma casinha de madeira no interior, ao lado de um pequeno parquinho onde as crianças se divertem. Nada de pássaros, nada de barulho da chuva caindo ou do trânsito de uma grande cidade. O que gosto mesmo é do som das crianças. Seus risos, seus gritos, sua conversa muitas vezes incompreensível é o que me inspira a escrever. É esse o som que me traz calma e paz.
Elas brincam boa parte do dia e já tive o prazer de desfrutar de seus sons durante a noite também. Quando o texto não vem, quando a idéia não quer cair em letras sobre o papel, eu fecho os meus olhos e ouço as crianças. Elas brincam, elas dão risadas, elas se divertem. Eu abro um sorriso, sinto-me bem. Sinto como se eu fosse criança novamente. A paz invade minha alma e volto a escrever.
Só existe uma coisa nisso tudo que me preocupa. Um único detalhe que às vezes me assusta, mas tento não pensar nele. Todas as vezes que vou até a janela, mesmo ainda ouvindo o som delas brincando, eu não vejo nenhuma criança no parquinho.

 

£!



Escrito por £éo às 19h21
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Você

Não há nada que eu possa fazer para evitar os meus olhos de procurarem os seus. A beleza que transmite através deles é capaz de me entorpecer e me levar para o estágio mais profundo de um hipnotismo. Eu fico extasiado com o que vejo.
Seu corpo e suas curvas me convidam para percorrer cada centímetro. Dirigir imprudentemente, sem me preocupar em sair da pista ou sofrer qualquer outra coisa. A suavidade das suas linhas diz para eu tomar cuidado; mas na mesma intensidade falam para eu continuar acelerando. Eu não me canso de percorrer você!
A melodia que escapa da sua voz me enfeitiça e comprova a existência das perigosas sereias. Mas ao contrário delas, você me afoga em seus braços e me cobre de carinho e ternura. Você canta a história da nossa vida, mesmo quando não diz nada. Sua voz ecoa dentro da minha mente pelo simples ato de respirar perto de mim. Eu respiro você!
O sorriso que corta seus lábios é capaz de secar lágrimas, acalentar noites frias e cicatrizar o mais profundo ferimento. Ele traz bons sonhos quando me entrego a escuridão, da mesma forma que ilumina o meu caminho quando pretendo andar pelo vazio.
Você espanta os meus medos, alimenta minha coragem e torna-se combustível para eu seguir com forças. Ergue-me quando estou derrotado e compartilha minhas vitórias com uma simplicidade a qual não lembro ter visto antes. Você é tudo que tenho, e tudo que sempre sonhei em ter.
Mas é só quando abro meus olhos que descubro que você não existe. E se existe, não está ao meu lado.

£!



Escrito por £éo às 20h15
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Senhor da Chuva

 

Não importa o momento em que esteja atravessando, o clima sempre vai agir alheio aos seus sentimentos. Talvez esteja rezando para os deuses errados. Não clame aos céus para que o sol brilhe mais forte. Não pragueje com Deus sobre a tempestade que desaba sobre seus cabelos. Ele não tem nada com isso.

Mas talvez eu possa ajudá-la, linda mulher. Se souberes como agradar um solitário Deus, terei o prazer em lhe confortar. Serei gentil a ponto de lhe trazer bons tempos caso isso lhe convenha. Não precisa lamentar a perda de um ente querido diante de um dia chuvoso. Posso não ser capaz de lhe trazer o ente ao mundo dos vivos, mas posso fazer a chuva parar. Trarei o mais glorioso dia para acalentar seu coração.

Não precisa planejar um passeio de barco com o amor da sua vida. Faça-o quando lhe der na telha. Providenciarei que a mais torrencial chuva desabe sobre suas cabeças, fazendo com que os seus beijos tornem-se ainda mais molhados.

Se o vento lhe aborrece, farei com que ele se ausente. Assim como, sem mesmo pedir, lhe darei uma soprada para afastar as mexas de cabelo que, por ventura, se atreverem a cobrir seu gracioso rosto.

Você não precisa saber meu nome para me chamar. Eu saberei o momento exato em que devo estar ao seu lado. Seja para soprar o vento, derrubar a chuva ou então, acalentar o sangue em suas veias.

Posso ser o senhor da chuva, mas haverá um momento em que serei incapaz de atender o seu pedido. Quando meu coração lamentar o fato de ser um solitário Deus e meus olhos transbordarem em lágrimas, não serei capaz de evitar. Mesmo que me peça, não tenho como fazer a chuva parar.

£!



Escrito por £éo às 12h32
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Pessoas de sorte

 

Não sei dizer quando tudo começou, nem mesmo consigo lembrar quando me dei conta disso. Apenas sei que certo dia, tive um estalo e conclui.

A chuva, ou melhor, o temporal que desaba no dia em que colocou as roupas no varal. Ou então, esse mesmo temporal que cai impiedosamente sobre sua cabeça, no dia em que gastou uma fortuna no cabeleireiro. E aquele dia em que esse temporal desabou sobre você, no mesmo dia em que teve uma importante entrevista e você, já puto da vida, estava com as mãos sujas trocando o pneu do seu carro, que furou instantes antes? E é claro que, no meio dos xingamentos, blasfêmias e pontapés, você vai dizer em certo momento: “Era só o que faltava!”.

A morte de um ente querido justamente naquela semana que precisa se concentrar para uma importante prova. A concentração vai para o espaço, assim como o resultado da prova. E o pior, a dor da perda permanece e a sensação que fica para fazer companhia é a de que tudo foi em vão. Seria mesmo?

Maldito azar, dizemos.

Mas que falta de sorte, falamos.

Podemos perder um ônibus, fazer uma hora extra no momento em que o chefe procurava alguém para jogar mais trabalho. Podemos então, nos declarar para a pessoa que amamos no dia em que ela começa a namorar outra pessoa. Sermos multados por questão de cinco minutos, e o pior... foram realmente cinco minutos.

E não importa o que fazemos da nossa vida. Não importa a cor da nossa pele. Não há diferença se iremos esbravejar ou desabar em lágrimas diante de um acontecimento como esse. Não faz diferença se somos homens, mulheres, gordos, altos, ricos ou idosos. Isso acontece com todos e não há um só dia que coisas como essas deixarão de acontecer.

E então, volto a lhe perguntar: Seria você e as pessoas que passam por momentos como esse, azaradas? Estariam todos com má sorte?

Ou seriam pessoas sortudas. Pessoas escolhidas a, depois de um tempo, perceberem que em tempos como esse é que aprendemos a viver a vida. Situações como essa que nos fazem corrigir pequenos erros e seguir por caminhos melhores. Em momentos como esse é que aprendemos a superar os problemas. Aprendemos a ser mais fortes do que éramos. Em tempos como esses nós aprendemos a não desistir, aprendemos a amar com mais intensidade. Aprendemos a viver.

Lembro desses tempos, como os tempos onde tive sorte; sorte para ser quem eu sou hoje.

£!



Escrito por £éo às 13h47
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Eu quero!

Eu sinto a brisa me acordar, afastando todas as fantasias que habitam os meus sonhos. Estou acordado, mas mantenho os meus olhos fechados. Por pouco tempo, pois os raios do sol forçam minhas pálpebras a se abrirem. O dia chega e acaricia meu corpo na ansiedade de me ver vivendo a vida.

Olho para os lados, não há ninguém ao meu lado. Então aquela brisa sopra meu corpo para a praia. Ela quer me ver bem; quer que eu busque o contato com o mundo. Aqueles mesmos raios do sol afagam minha pele, tingindo-a com um bronze que há muito eu não via em mim.

Os músculos do meu corpo se retesam na angústia de ficarem maiores e mais vistosos. Acho que eles estão certos e por isso que decido fazer alguns exercícios.

Caminho pela calçada e minha expressão séria logo desaparece quando um pássaro assusta uma criança. Ele provoca meu riso e não sei por qual motivo, o sorriso não abandona mais o meu rosto.

As palavras fluem na minha mente com um repertório novo de histórias, de imagens. Os sons que antes eu não era capaz de ouvir chegam ao meu ouvido de forma límpida, como água cristalina. Assim como o som, as cores preenchem meus olhos em tons que me surpreendem.

Vejo, ouço e sinto o mundo de forma diferente. Ele me convida a vivê-lo intensamente da mesma forma em que me incentiva a desfrutar daquilo que tenho e sou.

Retorno a minha casa feliz – ainda com aquele sorriso no rosto – porém faço um último movimento, de olhar para os lados. Continuo sozinho, não há ninguém comigo.

Adormeço com o sorriso no rosto, mas antes de me entregar ao mundo dos sonhos eu afirmo em um sussurro:

- Eu quero alguém do meu lado para viver a vida!

£!



Escrito por £éo às 23h41
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Saudades

 

 

Você não sabe como é, para um escritor, não ter palavras. Você não faz idéia de como me sinto quando tento escrever algo e simplesmente não consigo. Eu poderia dizer que é uma sensação horrível, mas não é o caso.
Você nunca esteve tão distante de mim como está agora. Eu nunca me senti tão só e desprotegido como agora. Eu jamais imaginei que as coisas poderiam “piorar”. Você está mais longe de mim...

Meus olhos, mesmo quando estou sorrindo, são tão tristes. Sua voz está baixa e eu quase não sinto mais o seu toque. Eu preciso de você aqui comigo. Estou pra cima e pra baixo, mas minha cabeça está em um só lugar. E você sabe onde! Você sempre soube.

Mostre-me um sorriso. Eu quero aquele sorriso! Preciso dele, preciso de você. Minhas palavras parecem estar tão vagas, não consigo colocar nelas o que realmente estou sentindo. E por mais que eu me esforce, eu precisaria juntar inúmeras palavras para que tentasse entender... Não basta que eu diga que sinto sua falta, que preciso de você. Isso você já sabe, sempre soube. Sempre!

Fico feliz dia após dia por saber que tenho você comigo. Sinto-me bem, completo. Mas mesmo assim, você está tão distante de mim, tão longe. Não posso ficar sem você, não posso perder você...

Preciso de você! Preciso que fique, que fique comigo.

Pois você sempre soube, sempre teve certeza... de que sem você, eu não sou nada!
Saudades!

£!



Escrito por £éo às 21h48
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Meu manual
Não adianta termos pressa, as coisas precisam ser feitas com calma e tranqüilidade. Antes de agir, precisamos observar; prestar atenção nos detalhes, nos gestos, nos sinais. Não podemos tomar decisões por causa de um belo rostinho.
Uma pele macia, um cheiro estonteante e uma voz sedosa. É disso que estou falando! Um olhar firme e confiante também é importante. Não basta ter um corpo de modelo ou de dançarina de axé. É preciso ter segurança na forma de andar e ter uma cabeça com algo além de creme, tinta e idéias fúteis. Precisa ser um ser pensante, e essa parte não é fácil.
Não podemos nos apegar a nada material, portanto, não importa se ela anda de ônibus ou de Mercedez. Assim como, não importa qual é a influência de sua família. Basta ter personalidade, ser dona e responsável dos seus atos.
Talentos adicionais são interessantes, atraentes, porém não são pré-requisitos. Então, não menospreze aquelas que não possuem dotes culinários, ou experiência com crianças e idosos. Não deixe se levar por isso, caso contrário, você vai acabar se apaixonando e isso pode botar tudo a perder. Não queremos colocar a paixão e o coração nessa delicada busca.
Jamais use o termo “pegar” e muito menos desista de uma garota depois que fizer sua escolha. Você precisa estar certo de ter feito a escolha correta e não desistir até ter conseguido atingir o seu objetivo.
Depois de realizar sua minuciosa escolha, deve partir para a ofensiva. Não me importa se será delicado, gentil, cavalheiro ou se será um canalha agressivo que utiliza a força bruta. O mais importante você já fez - a escolha certa!
O final, precisa ser feito conforme as regras – novamente. Nada de outros métodos! O corpo dela deve estar nu, ausente de qualquer adorno. Se for preciso, amarre-o, isso pode ser excitante. Não utilize nenhum material com borracha ou látex, você deve usar algo de madeira, um pau por exemplo. Não pode falhar, não há espaço para uma segunda tentativa. A primeira é a que importa. Acerte a cabeça, com um golpe certeiro e fatal – a testa por exemplo. Não se impressione com o sangue, ele vai espirrar em você de qualquer jeito. Se ela resistir, você perdeu. Caso contrário... procure-me. Vou lhe ensinar o que fazer depois!
£!


Escrito por £éo às 21h06
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Orfanato da Rua Wikkyborn

 

Algumas crianças têm o privilégio de viver a infância ao lado dos pais e do conforto do próprio lar. Eu não tive essa sorte e minha infância aconteceu enquanto eu morava em um orfanato na famosa Rua Wikkyborn.

As crianças eram tratadas com severidade e qualquer desrespeito ou mau comportamento era duramente repreendido. Porém, éramos crianças e era inevitável que ficássemos longe dos problemas, eles vinham até nós.

Quando algum garoto era pego fazendo algo de errado, ele levava broncas, às vezes palmatórias e por fim, passava parte do dia sem comer, trancado na sala de castigo.

A sala de castigo era temida, pois era o lugar mais estranho do orfanato. Havia algumas cadeiras de madeira e nenhum outro móvel. Não havia janelas e a única distração era observar um estranho quadro com um palhaço nada amistoso. Por ser o único adorno da sala, todas as crianças falavam do palhaço. Umas diziam que ele era assombrado, outras diziam que ele estava lá para nos observar e nos botar na linha, enfim, todas tinham uma coisa em comum em relação ao palhaço – medo.

Confesso que fui para aquela sala mais de uma vez. E confesso que a cada vez que entrei lá, tive a sensação de que o palhaço estava com suas feições mais duras e fechadas do que da última vez.

Certo dia, uma briga fez com que sete garotos fossem mandados para a sala do castigo, e eu era um deles. Ao entrarmos lá, ocupamos uma cadeira e começamos a falar do palhaço e da suspeita de que ele estava cada dia mais zangado. De fato estava.

Em um momento de distração, notamos que o olhar do palhaço estava inflamado e seu rosto tristonho havia se transformado em um sorriso vingativo de arrepiar os cabelos. Levantamos das cadeiras assustados, começamos a gritar por socorro, mas a porta estava trancada. Inocência a nossa em dar as costas para o temido quadro, ao olharmos de volta, nos demos conta de que a moldura estava vazia, e o palhaço estava de pé, diante de nós.

Os gritos foram substituídos por lágrimas, as quais foram inúteis. O palhaço pegou um garoto por vez. Uns foram mordidos na garganta e seus corpos largados no chão com convulsões e espasmos que antecederam a morte. Outros tiveram alguns membros quebrados antes de serem asfixiados pelas mãos cobertas por luvas. Enquanto o palhaço, com garras as quais eu não imaginei que existiam, dilacerava o penúltimo garoto, eu ajoelhei no chão implorando pelo seu perdão. Disse a ele que faria qualquer coisa que ele quisesse. Prometi nunca mais ofendê-lo. Após largar o garoto no chão com parte de suas entranhas para fora, ele se aproximou de mim com um sorriso desumano e olhos predatórios. Tive o corpo erguido do chão por uma única mão do palhaço e em seguida com a outra ele fez sinal de silêncio. Senti a força de sua mão apertando minha garganta a ponto do ar não mais chegar aos pulmões. Antes de perder a consciência, pude ouvir sua voz entrando em minha mente. Ele dizia que pouparia minha vida caso eu demonstrasse maior respeito aos quadros. Disse que eu deveria adornar minha casa com o maior número de quadros que fossem possíveis, tornando-me o maior colecionador do mundo. E foi ouvindo essas palavras que perdi a consciência.

Sou o Lorde Dorian Gray e fui considerado o maior colecionador de quadros do mundo. Aprendi a gostar e a respeitar os quadros a ponto de desejar que meu próximo quadro seja um auto-retrato.

 

£!



Escrito por £éo às 20h09
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Um recado

 

Eu não quero esperar por mais um dia, pois talvez eu não tenha esse tempo. Eu prometo que na próxima vez serei mais forte. As coisas que aconteceram podem perder o sentido, as impressões podem te fazer acreditar em algo que não é a verdade.

Não espero que venha me trazer flores, nem mesmo que venha me visitar para lamentar qualquer coisa. Você não teve culpa de nada e não vou partir sem ter o seu perdão. Mas eu não posso esperar muito tempo, não tenho muito tempo. Tenho que lhe dizer algo.

Todos os dias vocês tentou fazer com que ficássemos próximos e eu sei que nada nessa vida é pra sempre. Eu nunca quis imaginar o dia seguinte, nem mesmo se esse dia eu poderia ver o seu rosto e você ver o meu. Isso não era uma possibilidade a qual eu poderia aceitar. Estaríamos lá, dia após dia, um para o outro. Sempre!

Uma simples conversa, um pequeno momento do meu dia e talvez algo insignificante em minha vida. Mas nem mesmo isso eu fui capaz de permitir. Mas agora venha, enlace seus braços ao redor de mim. Apóie sua cabeça no meu ombro e conforte-me como sempre tentou fazer e eu nunca permiti. Não me pergunte o porquê.

Deseje-me boa noite e me ponha para dormir. Abençoe minhas noites e proteja-me do mal que possa se aproximar de mim. Pois nada pode substituir a sua bondosa presença.

Eu quero lhe dizer uma coisa, não quero esperar até que seja tarde demais, mesmo tendo certeza de que já é. Eu gostaria de mostrar-lhe algo, mas acho que não há mais tempo para isso, eu deixei o tempo passar, então só me resta dizer; dizer uma coisa.

Eu sempre te amei e sempre vou ter amar, minha mãe!

£!



Escrito por £éo às 21h54
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Sonho de um guerreiro

 

Estou cansado da última batalha. Estou cercado de bravo soldados, companheiros fiéis que se arriscam em cada novo duelo. Não importa o tamanho do pelotão adversário, nós estaremos lá. Em pé, parados, de cara para o vento. Firmes, fortes, corajosos.

Derramei muito sangue ao longo dessa campanha. Tomei muitas vidas. Deixei esposas sem seus maridos, mães sem seus filhos; tirei a vida de jovens que nem mesmo sentiram o calor de uma mulher na cama. Matei e não me arrependo. Você pode pensar que sou um animal sanguinário sem escrúpulos. Não me importo com isso, apenas não me confunda com um selvagem, como uns e outros que andam ao meu lado. Faço isso por uma causa e não há nada de mais nobre nisso.

Alguns estão aqui, pois querem escrever seu nome na história. Outros, pois querem provar para si mesmos que são capazes de vencer o mais bravo dos inimigos. Alguns são jovens e nem mesmo sabem por que estão aqui. E a grande maioria está aqui, pois mandaram eles aqui; estão apenas cumprindo ordens. Para esses últimos, chame-os de selvagem. Não eu!

Se for preciso, carregarei os feridos nos meus ombros, enquanto continuo lutando. Farei isso se for preciso. Não me importa quanto sangue precisarei derramar, e não me importo se o sangue derramado será o meu ou o de meus inimigos. Derramarei ambos se for preciso. Não estou me importando com a distância que precisarei trilhar; mesmo com uma perna amputada eu me arrastarei por toda a distância que for preciso. Pois cada um tem um objetivo nessa batalha; objetivo que nos faz seguir em frente e continuar lutando. O meu, é voltar aos seus braços. O meu objetivo é chegar até você, meu amor.



Escrito por £éo às 20h28
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Bizarro acontecimento na rua Wikkyborn

 

Passo diante dele, mas nunca dei-lhe a devida atenção. Não sei por que disse isso no singular, pois não é um, são vários. Inúmeros! Seja na parte da manhã, durante a tarde ou altas horas da noite.

Nunca prestei atenção. Não pense que faço isso de propósito, eu apenas os odeio! Alguns são fáceis de entender, outros nem tanto, mas nenhum deles me fez perder mais do que alguns míseros segundos. Eles me apavoram!

Você pode pensar que sou uma pessoa desatenta ou distraída, mas estou longe de ser esse tipo de pessoa. Apenas não tenho interesse em vê-los. Busco manter distância, mesmo sabendo que isso não é possível.

A mulher gorda sempre me causou repulsa. Aquela sala de jantar vazia me traz pavor. O calmo lago sugere uma fúnebre paisagem. Aqueles cavalos parecem demônios alados. Enfim, não gosto de observá-los. Nem mesmo de lembrar que eles estão aqui.

Não importa se estão emoldurados com marfim, alumínio, plástico ou qualquer outro material. Tanto faz se possuem detalhes, entalhes ou malabares. Eu não gosto e parece que essa minha opinião não mudará os fatos. No último mês comprei mais dois. Raios, o que faço com essas malditas crianças sorridentes? Deveria afogá-las, mas não. Coloquei no hall de entrada. Não sei onde estava com a cabeça quando fiz isso, pois elas parecem dois demônios, que zombam de mim toda vez que entro em casa. Já as flores não me assustam, mas confesso que vejo nelas a tristeza de um velório. Odeio flores!

Pense o que quiser de mim. Diga aos outros que tenho manias, ou então, que sou louco. Mas só eu estava lá quando vi aquela figura se mover. Todas as outras crianças foram assassinadas diante de meus olhos. Aquele inocente palhaço não poupou ninguém além de mim. E só sobrevivi, pois jurei ser o maior colecionador de quadros desse mundo. E aqui estou; cercado deles. Perseguido por eles. Assombrado por eles. Tudo porque eu fui o único a testemunhar o bizarro acontecimento na rua Wikkyborn.

 

£!



Escrito por £éo às 18h33
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