Pegadas Não há o que dizer. Não há como negar. Você pode fechar os olhos, fazer a imagem sumir de sua mente, mas não pode negar o fato de que ela está lá. Ou, ao me nos, esteve lá. Não precisamos forçar a mente com lembranças, mas basta olhar um álbum de fotos. Está tudo lá. Seus maiores momentos, suas maiores conquistas e, algumas vezes, até os seus fracassos. Não conseguimos mudar nada daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. O passado faz parte de nós de uma forma que não somos capazes de imaginar. Os álbuns podem ser destruídos, a memória pode ser esquecida, as provas escondidas. Mas o passado é o alicerce que nos constrói. Dia a dia. Noite após noite. Não adianta fechar os olhos. Não adianta negar. Diferente da areia, essas pegadas não desaparecem... Elas nos perseguem, para todo o sempre!
Escrito por £éo às 18h51
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Nova casa 
Não importa se você sente dor, nem mesmo se corre sangue dentro de suas veias. Eu não quero saber se você tem problemas, família ou compromissos. Tanto faz a cor da sua pele, assim como o Deus que costuma direcionar suas preces. Não dou a mínima para o seu prato preferido, assim como o time que você torce. Nem pense em dormir, vou ter perseguir nos seus sonhos. Farei da sua vida um inferno. Seja num dia claro de verão, ou na combinação do frio e chuva torrencial, estarei por perto medindo suas atitudes. Não adianta reclamar ou dizer que desiste. Não aceito perdedores, assim como não permito os abandonos. Vai continuar até o momento que eu quiser. Não aceito contra propostas e nem postergação de prazos. Se lhe prometi algo ou se assinei algum documento, esqueça-os. Minha palavra e minha decisão do momento valem mais do que qualquer outra coisa. Saboreie a dor e o sofrimento que passa. Não ficarei comovido com suas noites em claro, ou com seu desempenho sobre-humano. Não me venha com blá blá blá. Pense duas vezes antes de descansar. Não permitirei tal relaxamento. Seu esforço e seu suor me causam prazer; quero mais! Tapa na cara, chute nas bolas e soco entre as vistas, é o mínimo que posso lhe oferecer. Não faça desfeita de meus gracejos. Permitirei que olhe para o céu e observe os dois sóis. Contemple a vermelhidão do céu que desaba em chamas diante da cabeça daqueles que habitam o horizonte. Apreciou a paisagem? Então volte ao trabalho. Meu nome é Letha e sou filho da sétima casa de K. Bem vindo ao inferno! £!
Escrito por £éo às 00h43
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Verdades e Mentiras É incrível como o tempo é capaz de nos enriquecer com conhecimento, experiência e maturidade. Às vezes eu me pego rindo ao lembrar como somos facilmente enganados e iludidos quando temos pouco contato com o tempo. Mas não há motivo para se aborrecer, isso faz parte da vida de todo ser humano; seremos crianças e por isso seremos facilmente enganados. E só depois, somente quando o tempo nos permitir, é que iremos nos dar conta de tudo isso. Cheguei a me sentir traído quando as verdades ficaram claras para mim. Senti-me tolo por ter acreditado em você, por ter dado ouvidos a você. Confesso que até raiva eu senti. Mas é engraçado como, ao mesmo tempo, eu descobri o seu esforço para que suas palavras fossem levadas a sério e que aquela conversa se tornasse real dentro da minha ingênua cabeça. Você realmente se empenhou nisso e por pouco não foi bem sucedido. Com o passar do tempo, novas histórias foram contadas, mas todas elas continuavam sendo mentiras; mas devido ao meu convívio com o tempo e as minhas últimas descobertas, as histórias eram mais sutis, eram mais realistas. Mesmo ainda contendo mentiras e fantasias. Você nunca foi uma pessoa má e hoje compreendo todas as suas atitudes. Envergonho-me em dizer que até faço o mesmo que fez comigo. Hoje eu apóio cada mentira que me fez acreditar. Compreendi a verdadeira importância disso tudo, e passo tudo adiante. Os papéis se inverteram e tenho certeza que sempre soube que isso aconteceria. Irei me contradizer, mas as minhas acusações são muito mais injustas do que deveriam ser. Suas mentiras não foram tantas assim como venho dizendo. Na verdade, muitas coisas foram criadas na minha cabeça; acreditei em coisas a seu respeito simplesmente por ‘achar’. Sua culpa está no fato de me manter acreditando naquilo que achei a seu respeito. Mas não me leve a mal, como disse, hoje eu compreendo e faço o mesmo. Hoje eu me orgulho, a cada novo dia. Hoje... meu sorriso só existe pois você me ajudou a construí-lo. Acredito que um texto semelhante a esse foi escrito por você quando eu era pequeno, e tenho certeza que um outro será feito daqui a certo tempo. Essa história é vivida em muitas famílias, mas poucos registram isso como estou fazendo. Por esse motivo, sinto-me responsável por deixá-la clara e sincera; represento a história de muitas pessoas e não só a minha. Muitas crianças foram enganadas e iludidas no passado, mas quase todas fazem o mesmo hoje. Assim como eu, eles compreenderam a importância disso tudo. Quando pequeno, eu acreditei que você fosse imortal. Em nenhum momento pensei que você fosse vulnerável a uma faca, ou a um tiro, seja lá o que fosse. Foi quando pegou uma pneumonia que vi o quanto era frágil. Mesmo sem ser policial, ou mesmo não usando fantasias, sempre acreditei que fosse capaz de enfrentar qualquer vilão para me proteger. Achei que você fosse um herói. Até aquele dia em que tomou uma surra do vizinho por ter ralado no carro dele, lembra? Você mentiu ao dizer que sempre iria me proteger e que, estando em seus braços eu estaria no lugar mais seguro do mundo. Quantas noites chuvosas você me acalmou com esse papo furado? Não consigo nem lembrar. Nunca pensei que houvesse no mundo alguém mais sábio que você. Acreditei nisso até tirar um 2,5 no trabalho de datas históricas em que você me ditou as respostas e nós erramos quase todas. Você nunca foi bom com a história do Brasil mesmo, né? Não irei me prolongar contando cada fato em que me iludiu ou me enganou. Já vi que você não esteve ao lado de Dom Pedro e que nunca esteve em uma guerra – tirando aquela de travesseiros. Também sei que nunca foi um galã de novela e que na verdade foi a mamãe que te convidou para sair. E não me diga para respeitar as leis de trânsito e a dirigir com educação, pois lembro de como comemorou ao jogar água de uma poça sobre uma senhora naquele dia de chuva – aquilo realmente foi engraçado. Mas e as multas? Continua recebendo muitas ainda? Descobri com o tempo que você está longe de ser um herói e que você é repleto de defeitos. Todos nós somos. Não vou mencionar nada a respeito de sua idade, tá? Seu maior erro foi me fazer acreditar que eu tinha um super herói como pai. Mas hoje eu sei o quanto esteve certo, pois hoje eu sou pai e sigo seus passos. Faço com o meu filho o mesmo que fez comigo. Não estou me saindo tão bem, pois seu neto já sabe que eu não sou um gigante; encontramos um jogador de basquete ontem no parque. Mesmo assim, seguirei seus passos, pois hoje eu sei o quanto essas mentiras e falsas ilusões foram importantes pra mim. Elas me fizeram ser quem eu sou. Hoje eu sei que meu pai é um homem comum, mas que ao longo da minha vida ele foi tudo aquilo que imaginei. Foi invencível, foi um herói, foi um astro, um gigante. Foi honesto, foi sábio. Foi tudo aquilo que hoje eu sou para o meu filho. E vou buscar sempre ser ao longo de sua vida. E farei isso sem deixar de ser, acima de tudo, aquilo que você sempre foi e sempre será... O meu pai! £!
Escrito por £éo às 21h55
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Alice Ninguém suspeitou no principio, mas Alice sempre foi uma pessoa diferente. Fisicamente, não era possível precisar quando, como e, principalmente, por que; mas ela havia mudado. A pequena criança não havia nascido com olhos negros como a noite que se destacavam no rosto pálido e triangular. Assim como, não tinha cabelos lisos e tão escuros quanto seus olhos. Ela tinha mudado. Seu temperamento era imprevisível e seu humor... não estava lá. Sua vida era privada do contato com o mundo externo, não se sabe dizer se foi por proteção ou medo, por parte de seus pais. Alice tinha apenas sete anos quando aquele trágico acontecimento foi descoberto na pacata cidade em que morava com seus pais. Os vizinhos notaram uma monotonia fora do normal e chamaram a polícia. Gritaram pelo nome de todos, mas na ausência de resposta, a polícia invadiu. O segundo policial trombou no primeiro, que ficou paralisado ao entrar no corredor da casa. Na outra ponta, iluminada pela pouca claridade que entrava por alguma janela da cozinha, estava a pequena Alice, com um vestido azul coberto de sangue. A garota segurava nas mãos uma faca e olhava através da densa franja negra que lhe caia sobre o rosto. Os policiais avançaram lentamente e diante da indiferença da garota, que parecia estar hipnotizada, tiraram a faca da sua mão. Mais ao lado, encontraram o corpo dos pais de Alice, mortos há pelo menos dois dias. Para uma cidade pacata e com poucos recursos, em nenhum momento passou pela cabeça das autoridades que aquela pequena criança pudesse ter sido responsável pela morte dos pais. Foi concluído que, perturbada e traumatizada, a garota ficou de pé, em estado de choque, por dois dias, segurando a arma que, ou o pai ou a mãe, teria usado para assassinar o parceiro e, em seguida, se matar. Foi levantada a possibilidade de mandar a garota para alguma clinica, mas encontraram os únicos parentes vivos da garota numa cidade não muito distante de lá. Alice foi para a casa dos tios, que a colocaram em uma escola. Em poucos dias tiveram reclamações a respeito do comportamento agressivo da garota e, para evitar maiores constrangimentos, resolveram mantê-la dentro casa. A cidade dos tios era ainda menor do que a cidade que morava com seus pais. Em função disso, todos tinham constante contato com o delegado. No inicio, seus tios tentaram evitar comentários e explicaram para o delegado que a garota tinha um comportamento tímido e por isso que a afastaram da escola, mas com o passar do tempo, revelaram ao oficial que a jovem menina tinha surtos de agressividade que chegavam a assustar. Certo dia, o delegado recebeu uma ligação dos tios de Alice. Antes que algo pudesse ser dito de forma clara, a linha caiu. Achando a situação suspeita, o delegado se dirigiu até a casa da família para averiguar. Não teve dificuldade para entrar na casa e logo se colocou em alerta ao ver sangue no chão. A mancha de sangue o levou até a cozinha, onde encontrou o casal estendido sem vida no chão. No canto oposto, próximo a pia, estava Alice. A garota estava imóvel e, usando um vestido azul coberto de sangue, segurava uma faca. Assustado, o policial correu para o carro patrulha para pedir reforços e uma ambulância. Voltou com a arma em punho e ao entrar na cozinha, não pode acreditar no que estava vendo. No lugar em que a menina estava, havia outro corpo no chão, com os pulsos cortados. A menina aparentava a mesma idade e usava o mesmo vestido que tinha visto em Alice, porém a garota era loira, de cabelos cacheados e olhos azuis. O delegado não sabia, mas diante dele estava o corpo morto da verdadeira Alice. £!
Escrito por £éo às 14h38
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Alto da montanha Sinto o vento balançar o meu cabelo. O arrepio percorre o meu corpo em função da brisa gelada que beija a minha pele. Não ouso abrir os meus olhos, esse momento é nosso e não quero estragar.
O som do seu riso chega aos meus ouvidos, penso naquela noite chuvosa em que nos beijamos. Não havia preocupação com o frio, com a gripe ou com qualquer outra pessoa que pudesse estar vendo nós dois lá. Aquele momento era nosso. Sinto você, respiro você. Até mesmo quando adormeço encontro seu olhar me fitando. Sua voz acaricia meu ouvido e por isso que planejei vir aqui. Planejei passar o tempo ao seu lado, sentindo o vento e você. A última vez foi na praia, dessa vez, escolhi as montanhas. O alto da montanha para ser mais preciso. Meus olhos fechados, meu sorriso escancarado. Só eu e você. Eu adoro estar com você. Levo a pequena flor que segurava entre os dedos até a boca, dou um beijo e deixo que o vento a leve; deixo que você a leve. Abro meus olhos, mantenho o sorriso, enxugo as lágrimas e sigo meu caminho. Em breve vou voltar para senti-la novamente... acariciando minha pele e me fazendo tremer, sentir... Sentir você. Eu adoro você! £!
Escrito por £éo às 19h16
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O HOMEM SEM ROSTO Matheus corria desesperadamente. Não sabia o que fazer, ele estava no seu encalço e não adiantaria se esconder, aquela coisa o acharia, como sempre fez. Tudo começou há seis anos, quando numa danceteria Matheus teve a impressão de ter visto uma coisa bizarra. Conforme os "flashes" de luz acendiam, ele viu um homem diferente, um que não tinha rosto. Sua cara possuía o relevo que qualquer rosto teria: uma saliência para o nariz, duas depressões onde existiriam as órbitas dos olhos, a ondulação que formava os lábios, e o contorno das orelhas. Mas não havia orifícios, não havia olhos, não existia expressão alguma. Era como se jogassem gesso no rosto de alguém para formar um molde, uma máscara.  Matheus sabia que aquilo não era uma máscara. Era real, mas uma realidade que desapareceu da mesma maneira que surgiu. Seus olhos varreram o salão em busca de confirmação, em busca de desvendar um mistério produzido por sua mente, ou pelo álcool em seu sangue, mas não encontrou nada. Não se passaram dois dias, e já tinha esquecido o episódio ocorrido na danceteria. Era passado. No ano seguinte Matheus estava no metrô, como sempre fazia para voltar do serviço. O dia tinha sido cansativo e olhava em direção a janela, sem prestar atenção em nada. Somente quando teve a sensação de estar sendo observado que ele deu atenção àquilo que seus olhos mostravam. No vagão da outra linha, que vinha em sentido contrário a sua, havia um homem estranho. Ele usava um chapéu e óculos escuros, mas foi a ausência da boca que fez Matheus se lembrar do cara da danceteria. Notou que ele não tinha cabelo e que vestia algo parecido com um sobretudo. Era o mesmo homem, a mesma coisa, o mesmo monstro. Dessa vez, Matheus não teve tempo de esquecer. Certo dia, quando estava dentro do ônibus, viu novamente. O homem estava sob uma cabine telefônica com o aparelho encostado na orelha direita; a coisa estava de óculos escuros, mas conforme o ônibus passou, ele acompanhou Matheus com a cabeça. Ele o fitava sem pudor e sem olhos. Não demorou muito para que a vida de Matheus virasse um caos e que ele entrasse em completo pânico. O homem sem rosto estava lhe seguindo, estava em sua vida. Viu o monstro no parque, no trânsito, e enlouqueceu quando viu aquele rosto liso na janela da casa em frente a sua. Era tão assustador olhar para aquilo que Matheus já não erguia mais os olhos; temia encontrar aquele rosto do seu lado. Estava no trabalho e inesperadamente foi convocado para uma reunião com a alta diretoria da empresa. Ao entrar na sala viu, vestindo um terno e sentado numa cadeira junto à mesa, o homem sem rosto. Ele estava lá, sem os óculos escuros, desta vez. Matheus gritou assustado e completamente fora de si, saiu correndo da sala. Saiu da empresa, correu pelas ruas. Corria desesperadamente, pois não sabia o que fazer. O homem sem rosto estava em seu encalço. Ele sabia que na primeira barraca de hot-dog que cruzasse, encontraria um vendedor sem rosto. Sabia que ele estaria surgindo na primeira oportunidade que tivesse. Mas Matheus corria sem olhar para os lados, e rezava para conseguir escapar daquele monstro. Correu muito, e logo seu peito pedia trégua; e antes de seu peito, suas pernas. Fraquejavam, tremiam e por fim, cederam. Caiu pesadamente ao chão, sentindo a dor se espalhar por todo corpo. Depois de sentir a dor se espalhar, Matheus aguardava para que a dor desaparecesse. Decidiu erguer-se e continuar sua fuga andando; virou-se para poder se levantar e sentiu um calafrio correr na sua espinha. Seu medo aumentou ao ver aquele homem de perto; com a mão estendida lhe oferecendo ajuda. Tentou relutar, mas acabou sendo ajudado pelo monstro. Assim que se colocou de pé, os dois se fitavam. Fez um esforço tremendo para conseguir falar sem demonstrar medo, e inseguro falou: - Maldito seja! O que quer de mim? A coisa inclinou suavemente a cabeça para o lado, como se quisesse compreender algo, ou como se quisesse ser compreendido. Mas repentinamente ele fez um movimento rápido e colocou suas mãos sobre o rosto assustado de Matheus, que tentou se desvencilhar. Foi em vão. A coisa cravou os dedos na sua cara e começou a puxar com extrema força. Puxou até conseguir arrancar o rosto de Matheus, que gritava histericamente. Seu corpo caiu no chão novamente. Pode ouvir os paços do seu agressor, que se distanciava e o abandonava. Matheus permaneceu caído ao chão por um longo tempo, e só depois de muito esforço conseguiu se levantar. A dor se espalhava por todo corpo, mas se concentrava no seu rosto. Matheus se erguia. E agora, erguia-se como um novo homem. Um homem sem rosto. £!
Escrito por £éo às 20h56
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Não preciso dizer mais nada né? Dia 15/05, estarei lá... Prestigiando o lançamento do Paradigmas Vol.2 Não paga nada para entrar nem para curtir!!! Te encontro lá! £!
Escrito por £éo às 13h46
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Pobres almas Estava frio e não havia mais forças dentro de nós. Estávamos cansados daquilo tudo, mantínhamos o silêncio, respeitando nossos pensamentos que se desprendiam de nossas mentes em busca do infinito, do improvável. Nossos olhos não se cruzavam, mas quando isso acontecia não nos víamos. Éramos um grupo alheio de qualquer coisa que pudesse acontecer ou passar do lado de fora de nossas perturbadas mentes. Queríamos apenas conservar a pouca vida que nos restava, guardar energia e forças para, quem sabe um dia, continuar. Mas foi aí que você surgiu. Não sei de onde veio, para onde vai e nem mesmo o que fazia ali. Não sei qual é o seu interesse em nós, pobres almas largadas e abandonadas ao relento da noite. Suas armas mentais ficaram à mostra; o ataque começou e quebrou nossas fracas defesas. Invadiu nossas mentes como se fossem pequenos cercados de madeira que pudessem ser facilmente pulados. Esgotou a pouca vida que tinha dentro de nós com o mais longo dos beijos. Você tem uma máquina de matar almas. Suas armas mentais sugam nossas vidas, e não conseguimos respirar quando você está por perto. Não há nada que possamos fazer. Seu beijo. Suas armas. Estávamos sentindo sua falta, pois sabemos que jamais voltaremos para casa. Você nos deu isso e nos fez ser aquilo que somos: almas agonizantes que anseiam pelo fim. Não tem nada que pode machucar mais do que sua boca, seu beijo, suas armas mentais que nos suga, nos consome. Nos mata. Não conseguimos respirar quando você está por perto! £!
Escrito por £éo às 14h59
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Eu corri... Eu corri! Nunca corri tanto em minha vida. Os pneus do carro cantavam em cada curva. O ponteiro não diminuía; o giro do motor estava muito próximo da marca vermelha, e eu corria! Os meus olhos estavam arregalados, os meus sentidos aguçados e mesmo assim, parecia que eu estava a milhares de quilômetros de distância. O cheiro do sangue invadia minhas narinas e o gosto amargo teimava em empapar a minha garganta. Num breve momento, pude notar minhas mãos, manchadas de sangue, assim como parte da minha camisa. Eu corria! Ultrapassei uma ambulância que abria caminho pelo trânsito. Deixei para trás um carro da ROTA que estava em busca de algum bandido. Eu corri e eles ficaram para trás. Multas? Tomei três. Pelo menos foram as que eu notei. Mesmo com a adrenalina injetada no meu organismo, eu ainda era capaz de sentir o frio e o medo percorrendo minha mente. Aquele sangue todo me deixava atordoado; eu corria! Derrubei um motoqueiro e perdi o retrovisor direito ao fazer uma passagem forçada entre dois carros. A primeira coisa que pensei foi: “mandem a conta, eu pago!”. Mas em seguida eu espantei esse pensamento, pois eu não tinha alternativa a não ser correr. Não olhava para os lados, nem mesmo para os espelhos. Eu apenas olhava para frente e emitia, com a força da mente, a mais alta das sirenes. Por mais cheio que o trânsito pudesse estar alguma brecha sempre se abria diante de mim. Eu corria por essa brecha. O sangue secava e minha mão grudava no volante e no câmbio do carro, mas eu não podia me atentar nesse tipo de detalhe, precisava me concentrar e focar minhas ações em funções básicas: acelerar com o pé direito e com as mãos, percorrer o trajeto e chegar inteiro ao meu destino. Não importa o quão rápido o tempo podia passar, eu corria mais que ele! Ao chegar ao meu destino, freei bruscamente o carro diante da porta dupla de vidro. Não me importei com os comentários do segurança. Desci, dei a volta no carro e abri a porta do banco de trás. Senti mais uma vez aquele pequeno peso nos meus braços, mas agora estava mais leve, a cada segundo que passava havia menos sangue. Eu corri! Percorri todos os caminhos que me foram permitidos, até dado momento em que me mandaram ficar do lado de fora. Agora era com eles. Sentei na cadeira, e observei minhas mãos e meu corpo, cobertos de sangue. Através do reflexo do vidro, pude ver que ao redor da minha boca, a mancha vermelha também era clara. Nesse momento, senti novamente o gosto de sangue na minha boca. ... O pior de tudo isso é o final. Quando você descobre que não adiantou. A pior sensação do mundo é saber que correu o mais rápido que pode, é estar certo de que fez o caminho mais curto e que nada e nem ninguém chegou a intervir o seu caminho durante o trajeto. O pior de tudo, é saber que você fez tudo que podia fazer, correu o máximo que pode e mesmo assim, não foi rápido o bastante para salvar a vida da sua filha... £!
Escrito por £éo às 22h58
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Chiquito! Texto inspirado em ‘Chiquita’, conto de Natacia Araujo - Visite: http://wwwinverso.blogspot.com/ Você levanta cedo para trabalhar, pega ônibus lotado, trem apertado e em nenhum deles consegue viajar sentado? Mas que pena, você não é nem um pouco sábio. Esperto é o Chiquito; jovem, saudável e cheio de manias interessantes. Ele levanta cedo também, ou você pensa que só a sua vida é corrida? Acorda, toma um banho e depois de 45 minutos arrumando o topete, Chiquito está preparado para tomar o café da manhã. Receita sadia, repleta de fibras e vitaminas. Um mamão aqui, uma banana ali, um açaí aqui e ali. Entre uma coisa e outra toma uns comprimidos. O azul, o vermelho, o amarelo e o preto. O preto é o mais irado, chega a dar um troço do tipo ‘sei lá’! Agora Chiquito está pronto para sair. Pega as chaves de seu conversível importado e sai queimando o chão. Esse Chiquito é um cara que se deu bem na vida. Enquanto isso, você está no seu trabalho, ouvindo sermão, tomando safanão e quando pede aumento... Já sabe que vai ouvir ‘não’! O som bombando já faz as vidraças tremerem e os alarmes dos carros tocarem; 5 minutos depois, Chiquito chega à academia. Puxa um ferro aqui, bate um papo com os amigos ali, confere o topete aqui e ali. Entre uma coisa e outra toma uns comprimidos. Dois azuis, dois vermelhos, dois amarelos e dois pretos. Já falei que o preto é irado? Quando ele toma os pretos, dá um negócio do tipo... ‘sei lá’! Depois de malhar, Chiquito passa no trabalho, mas só pra dar as caras e lançar uns xavecos nas gatinhas que contratou; talvez dar um alô pro paizão, afinal ele é o patrão! Feito isso, precisa ver com qual das cocotas vai sair essa noite. Ou podia fazer o mesmo da semana passada, sair com duas juntas. Você é casado? Aposto que chega cansado, esgotado e ainda por cima acaba sendo mal amado? É uma pena, se você fosse esperto, faria como Chiquito. Chega aquele momento de indecisão: terminar o relatório mensal, participar da reunião departamental ou pedir ajuda para seu chefe, aquele animal? As escolhas são essas, pois o horário do almoço não te pertence e isso você pode fazer outra hora, ou outro dia. Já o nosso amigo Chiquito tem sua parcela de incertezas também. Sempre que chega ao restaurante do Lee, não sabe se pede um sushi com sashimi aqui, um temaki e uramaki ali, um hossomaki aqui e ali. Entre uma coisa e outra toma uns comprimidos. Três azuis, três vermelhos, três amarelos e três pretos... Sim o preto ‘sei lá’, que dá um troço irado, ou vice e versa. Tanto faz. A volta do trabalho é sempre pior, é sempre mais longa e é incrível como sempre chove. Justo hoje que a previsão afirmou que não ia chover. Mas Chiquito não precisa de guarda-chuvas, seu apartamento duplex tem portão automático. É o que eu venho dizendo sempre... Esse Chiquito é esperto pra caralho! E quando o dia está se aproximando do fim, você tomou seu banho e se acomodou na cama para deitar e se preparar para o dia seguinte, Chiquito usou mais 45 minutos para arrumar o topete e se preparar. A noite é uma criança e a balada só vai começar. Decidiu sair com a estagiária dessa vez, pois Chiquito tem certeza de que os peitos dela são maiores do que os da secretária do pai. Mas que diferença isso faz, amanhã ele pode comprovar com as duas juntas. Você não consegue dormir, as contas roubam o seu sono. Por outro lado, na balada o Chiquito acabou de colocar três caras para dormir. Um soco aqui, uma cotovelada ali e uns chutes aqui e ali. Entre uma coisa e outra arruma o cabelo e pisca para a gatinha que está impressionada com a sua força. Chiquito vai pegar mais uma. Amanhã, sua vida vai ser exatamente igual ou pior do que a vida que a de hoje. Mas para Chiquito, não vai ser pior...Vai ser melhor ainda; amanhã vai tomar 4 pretos. O preto é o mais irado, chega a dar um troço do tipo... ‘sei lá’! Não sei você, mas quando crescer, eu quero ser que nem o Chiquito! Cara esperto pra caralho! £!
Escrito por £éo às 22h42
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Tentando...
O tempo vai passando e as coisas ficam confusas na minha cabeça. Eu faço isso, aquilo. Eu estou aqui e lá ao mesmo tempo. Eu procuro por isso enquanto você quer aquilo e quando eu acho aquilo, você não quer mais nada de mim. Tudo que eu sei parece não fazer mais sentido, e tudo que eu digo parece não ter mais razão. Minhas idéias são sub-julgadas enquanto sou questionado no momento em que me mantenho calado. Eu entendo que por mais que eu observe, eu não serei capaz de ver tudo e por mais que eu fique em silêncio, deixarei escapar algum som ou informação importante. Posso me calar, deixar de ver e me concentrar no simples gesto de ouvir... Mas não tenho dúvidas que, para você, eu deixarei de prestar atenção em alguma coisa fundamental. Nunca é o bastante. Talvez eu deva me esforçar mais, talvez você deva exigir menos, ou talvez ambos devêssemos fazer as duas coisas. Talvez... essa seja a palavra mais certa que eu seja capaz de dizer para você, pois nunca pesquisei ou tive certeza de algo. Para você, eu nunca saberei o bastante para ter certezas. Eu continuo fazendo todas as coisas para você, de uma forma que nem mesmo sei explicar. Penso que em algum momento seus olhos se abrirão reconhecendo todo o meu esforço, e então, você irá me notar. Mas talvez isso não aconteça. Você olha para mim, e espera um pouco mais. E eu, continuo tentando. Podemos falar de restos ou de física quântica. Podemos olhar a mais simples forma de vida da natureza ou a construção mais elaborada feita pelo homem. Podemos nos sentar na varanda ou caminharmos até onde o horizonte termina. Seja como for, serei sempre inferior a você e incapaz de atingir suas expectativas. Não vou desistir de continuar me esforçando, mas o dia em que eu fizer aquilo que quer, ou o dia em que eu for capaz de atender às suas exigências, saiba que esse será o dia em que deixarei de ser quem sou. Mas continuarei tentando... £!
Escrito por £éo às 16h18
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LANÇAMENTO!!! Com imenso orgulho, quero convidar todos a comparecerem no lançamento do Livro: Paradigmas - Vol.1 Uma coletânea de 13 contos fantásticos e de ficção onde buscamos quebrar os Paradigmas já estabelecidos nesse tipo de literatura. Venha curtir esse grande momento, desfrutar de um bom bate papo e pegar um autógrafo! Serei muito grato com a presença de todos!!! Quando? Na sexta feira do dia 20/03/09 as 18h30 Onde? Bardo Batata - www.bardobatata.com.br Tel.: 3068 - 9852 Na rua Bela Cintra, 1333 - Jardins Paga para entrar? Não, a entrada é livre!!! Você só paga o que consumir e na compra de um exemplar você ganha um chopp Quanto custa um livro? O livro será vendido por um preço muito acessível: R$13,00 Posso levar alguém ou divulgar o evento? Não pode, DEVE! Leve quem quiser e qualquer divulgação feita será muito bem vinda. Estarei aguardando a visita de todos vocês!!! Serão muito bem vindos! Um grande abraço!!! £! 
Escrito por £éo às 13h04
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Sorriso? Caso não seja um bom observador ou caso seus olhos não sejam aguçados o suficiente para notar detalhes sutis, aquelas pessoas passariam alheias a qualquer tipo de comentário. Nada de especial em sua rotina diária chamaria a sua atenção. Mas havia ali algo de diferente. Faziam seu trabalho, discutiam idéias e resolviam problemas. Faziam compras, levavam os filhos para passear e voltavam para casa. Tudo parecia estar normal se não fosse um pequeno detalhe que se ausentava na expressão de seus rostos ao longo do dia. Eles não sorriam. Você pode achar que as pessoas não tinham senso de humor ou que a vida delas era triste e lamentável, mas não. Eles possuíam senso de humor – se é que podemos dizer que uma pessoa que não sorri possui isso. Havia ali casas de espetáculo como em qualquer outro lugar e o lugar não era um dos menos freqüentados, pelo contrário. As pessoas faziam filas para ir aos shows de humor, porém não sei explicar... O humor não estava lá. As piadas eram contadas como se fossem notícias trágicas e ao término do espetáculo, o barulho das palmas era ensurdecedor, mas era só isso. Não havia um só riso, gargalhada, ou discreto sorriso. As pessoas não riam. Esse fato não me foi contado por ninguém, nem muito menos lido num livro. Não é nenhuma lenda ou mito contado por antepassados. Eu vi; eu vivi isso. Eu estava lá. Eu estou aqui! Se acha que passou por minha cabeça destruir aquele paradigma dando uma boa gargalhada na rua, confesso que sim. Mas apenas nos primeiros momentos. Hoje eu não me atrevo a pensar ou a fazer em algo desse tipo. Não vejo motivo para sorrir e mudar esse estranho comportamento. Eu reparei nas pessoas que chegavam e tinham o mesmo impacto que eu tive ao notar essa peculiaridade. Era visível a angústia e o espanto no rosto dessas pessoas, mas em pouco tempo, é possível perceber que elas já estavam submissas às novas condições e que o sorriso jamais voltaria a aparecer em seus rostos. Não existe nenhuma lei, não existe uma regra e nenhuma recomendação jamais foi dada. O fato é que as coisas são assim, quer você aceite ou não. Pode ser que esteja feliz, mas em nenhum momento poderá demonstrar isso. Mas não deixe isso influenciar sua cabeça. Adoraria ver você aqui comigo, não quer experimentar? Estou em um lugar diferente com pessoas e comportamentos diferentes. Aqui, você poderá viver normalmente, mas saiba... Você não encontrará o sorriso; aqui é proibido sorrir.
£!
Escrito por £éo às 13h44
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Ração pra Cachorro O breu impedia qualquer olho são de enxergar o que estivesse a um palmo do nariz. O que dizer de um olho alcoolizado que teimava em se fechar no primeiro vacilo? O homem cambaleava se escorando nas paredes e derrubando os quadros que ali estavam. Não tardou para que chutasse o pobre vira-lata que dormia pacificamente próximo a porta de entrada. - Maldito cachorro, saia da minha frente! – Falou com a voz mole, entre arrotos e soluços. Caminhou mais alguns passos no meio da escuridão e então seus olhos se fecharam para evitar a forte luz que saia da geladeira. Por instinto pegou a garrafa de cerveja e uma tigela com os restos de um frango assado de dois dias atrás. Sentou-se no sofá – que ficava no mesmo cômodo que sua cama, assim como o refrigerador e todos os demais móveis daquele kitnet – comendo o frango feito um animal. Porém a cerveja, esta era bebida vagarosamente, de forma que seu sabor amargo pudesse ser apreciado. O vira-lata se aproximou ganindo timidamente. Era possível ouvir o barulho do cão ‘lambendo os beiços’ de tanta fome. - Quer essa porcaria fria, cão? – Ele jogou a coxa do frango que estava comendo para o animal. – Espero que goste, pois não vou comprar ração pra você. Ou é a comida que eu como, ou passa fome! O cão estava acostumado àquele tipo de refeição. Sempre comia os restos de carne de seu dono embriagado. Ele farejou até achar o pedaço de carne e comeu com vontade; o barulho dos dentes roendo o osso começou a irritar o homem. Como era possível comer uma carne tão ruim com tanto gosto? – o homem pensou. - Cale essa boca, maldito cachorro! Mas o barulho continuou. Depois de soltar mais um arroto, o homem se levantou e foi em direção ao barulho que o cão fazia. Sem muita habilidade ele chutou o cão – ou ao menos, tentou – e esbravejou diversos palavrões. O chute nem chegou a machucar o animal, apenas deixou-o irritado. O latido e o rosnado do cão feriram o ego embriagado do homem. - Está me desafiando? Rosnando para mim seu filho da puta! – E novamente chutou o cão, só que desta vez, foi um chute certeiro. Como resposta o animal abocanhou a mão do homem e segurou firmemente, sem a intenção de ferir quem o alimentava. Mas com um forte puxão o homem tentou se livrar dos caninos do cachorro, abrindo um grande corte na mão e deixando o sangue correr por entre seus dedos. O homem recuou, não por medo e nem por dor, mas por reflexo. A escuridão impedia que ele enxergasse os obstáculos, e atrás de sua perna passava o fio da pequena televisão de 14’’. O tombo foi violento e sua cabeça bateu na quina na pequena mesa que estava logo atrás. Sua visão ficou turva e sua cabeça latejava. Podia sentir o filete de sangue escorrendo sobre sua têmpora. O cão se aproximou inocentemente lambendo a mão ensangüentada do homem, sentiu um sabor familiar, era muito parecido com alguns tipos de carne que comia. Começou a lamber com vontade, sorvendo todo o sangue que por ali escoava. O barulho irritante voltou para os ouvidos do homem, que só então tentou afastar o cão. Golpeou o focinho do animal violentamente e como troco o cão abocanhou novamente sua mão, decepando um dos dedos do homem. Um grito de dor acompanhou uma nova investida sobre o animal, que não se intimidou e voltou a morder o seu dono. A cada nova mordida, o vira-lata causava enormes ferimentos no homem, que devido ao álcool em seu sangue, não sentia tanta dor. O sangue fluía em abundância e já começava a fazer falta, não tinha mais forças para agredir o animal, apenas podia gemer com o terrível incomodo de ser ferido. Caído e sem forças, não teve alternativa senão se entregar. O cão não lambia mais seu sangue, mordia sua carne puxando grandes nacos. O animal estava apreciando o sabor da carne humana e devorava seu dono lentamente. Não havia maldade no animal, apenas fome. Depois de alguns minutos, que pareciam uma eternidade, o bêbado não sentiu mais dor e nem mesmo incômodo. Ele estava morto. Mas o homem morreu mantendo sua promessa; a de que aquele cão jamais comeria ração pra cachorro. E com certeza, ele jamais iria comer ração pra cachorro. £!
Escrito por £éo às 21h26
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Espero que todos tenham tido uma ótima virada de ano e que ajam para que o ano seja melhor. Não basta desejar, é preciso fazer com que seja melhor... Vamos começar 2009, e segue minha crítica... minha visão. É com assuntos assim que eu monologo, mas assunto como esses não devem ser monologados. Junte-se a mim e vamos dialogar...
Mundo louco, habitantes mais ainda...
Nessa época as coisas começam a ficar loucas, estranhas, e mesmo assim, seguimos em frente; não há nada que possa ser feito e optamos por ser indiferentes a elas. Somos assim, não somos?
Não sei se estão lembrados, mas no dia 9 de Dezembro de 2007 houve um terremoto na região de Minas Gerais que atingiu 4,9 graus na escala Richter causando a primeira vítima em função desse tipo de catástrofe no país. Pouco tempo depois, em 22 de Abril de 2008, um novo terremoto atingindo 5,2 graus atingiu a região sudeste - esse tremor eu senti. Podemos dizer que sentimos esse tipo de terremoto freqüentemente, afinal nossa vida anda ao lado do metrô, de uma rua movimentada ou centro urbano e trepidações como essas fazem parte do meu dia-a-dia. Mas já parou para pensar no que está acontecendo? Aposto que três dias depois dos fatos você nem lembrava mais, estou certo?
Então vamos tratar de um acontecimento mais recente, porém que já pode estar querendo fugir das suas lembranças - afinal, aposto que bebeu bastante champagne no final do ano, não foi? Em novembro de 2008 foi registrado o maior índice de chuva no estado de Santa Catarina, quebrando todos os recordes desde que órgãos de meteorologia iniciaram acompanhamentos. Em certa cidade, o volume de água no mês atingiu 853 milímetros de água, você faz idéia do que isso significa? Tentarei explicar um pouco melhor... Cada milímetro equivale a 1 litro de água em uma área de 1 metro quadrado. Faça essa brincadeira na sua casa; marque no quintal um quadrado com dimensões de 1 metro de lado e despeje um litro de água para ver a pequena poça que se forma. Meus parabéns! Agora tente imaginar o volume de 853 litros de água sendo despejados nesse mesmo metro quadrado. Você estará próximo de montar a sua piscina de 1000 litros. Divirta-se!
Mas o mais engraçado que isso é o fato de não nos colocarmos na situação e usarmos apenas a nossa imaginação para funcionar. Faça esse exercício e imagine seus pertences mais íntimos. Pense em seu computador com todas as suas fotos digitais, seus documentos, etc. Pense em sua adorável e macia cama. Pense naquela roupa que comprou especialmente para passar o ano novo. Agora pense em todas essas coisas sendo deixadas para trás ou sendo levadas pela água que cerca você e sua cidade. Pense em como dormir e se alimentar onde tudo foi, literalmente, pra debaixo d'água. Você sonha em dormir vendo as estrelas? Então olhe para cima, pois você não possui mais um telhado e agora pode olhar as estrelas, mas dificilmente irá dormir. Suas lágrimas se fundirão com as gotas que se desprendem do céu e implacavelmente irão se juntar às que já estão cercando seu lar. Pense nisso...
Não vou me estender para os seis furacões que atingiram o norte americano, os terremotos e ciclones que afetaram a Ásia e causaram o maior prejuízo provocado por catástrofes naturais. Nem vamos entrar no mérito da atual guerra no oriente médio que acaba com a vida de civis inocentes. Pra mim, assuntos como esses não deveriam nem mesmo existir.
Mas se o mundo está enlouquecendo, deve existir um motivo para isso. Bom, eu não conheço os pensamentos de Gaia e desconheço os gostos e desgosto do nosso paciente e anfitrião planeta Terra, mas enquanto o mundo caminha para uma situação lamentável, os seus habitantes ajudam a enlouquecer o mundo com novidades simplesmente absurdas. Se eu fosse Gaia, esse tipo de coisa seria o bastante para que eu mandasse terremotos, furacões, inundações e todas as possíveis desgraças naturais para acabar com esse povo louco.
Não vou me preocupar com a infraestrutura (sim, sem hífen) do nosso país, e nem mesmo sou capaz de visualizar nosso país como um modelo, um suprassumo (sim, sem hífen e com dois "s") da economia mundial. Já vivemos em condições subumanas (sim, sem hífen e sem o "h") e já aprendemos com isso. Vamos deixar tudo como está. Não será mais preciso ter novas ideias (sim, sem acento!), pois temos outras coisas "mais importantes" para nos preocuparmos. Certo?
Nessas horas (horas ainda tem o "h" né?) é que eu grito bem alto: Esse mundo está louco, assim como seus habitantes!
Para tudo!
Para tudo, o quê?
Esqueci! O verbo não tem mais acento... Viramos substantivos.
É o que somos. Lamentável...
£!
Escrito por £éo às 12h23
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