Meu manual
Não adianta termos pressa, as coisas precisam ser feitas com calma e tranqüilidade. Antes de agir, precisamos observar; prestar atenção nos detalhes, nos gestos, nos sinais. Não podemos tomar decisões por causa de um belo rostinho.
Uma pele macia, um cheiro estonteante e uma voz sedosa. É disso que estou falando! Um olhar firme e confiante também é importante. Não basta ter um corpo de modelo ou de dançarina de axé. É preciso ter segurança na forma de andar e ter uma cabeça com algo além de creme, tinta e idéias fúteis. Precisa ser um ser pensante, e essa parte não é fácil.
Não podemos nos apegar a nada material, portanto, não importa se ela anda de ônibus ou de Mercedez. Assim como, não importa qual é a influência de sua família. Basta ter personalidade, ser dona e responsável dos seus atos.
Talentos adicionais são interessantes, atraentes, porém não são pré-requisitos. Então, não menospreze aquelas que não possuem dotes culinários, ou experiência com crianças e idosos. Não deixe se levar por isso, caso contrário, você vai acabar se apaixonando e isso pode botar tudo a perder. Não queremos colocar a paixão e o coração nessa delicada busca.
Jamais use o termo “pegar” e muito menos desista de uma garota depois que fizer sua escolha. Você precisa estar certo de ter feito a escolha correta e não desistir até ter conseguido atingir o seu objetivo.
Depois de realizar sua minuciosa escolha, deve partir para a ofensiva. Não me importa se será delicado, gentil, cavalheiro ou se será um canalha agressivo que utiliza a força bruta. O mais importante você já fez - a escolha certa!
O final, precisa ser feito conforme as regras – novamente. Nada de outros métodos! O corpo dela deve estar nu, ausente de qualquer adorno. Se for preciso, amarre-o, isso pode ser excitante. Não utilize nenhum material com borracha ou látex, você deve usar algo de madeira, um pau por exemplo. Não pode falhar, não há espaço para uma segunda tentativa. A primeira é a que importa. Acerte a cabeça, com um golpe certeiro e fatal – a testa por exemplo. Não se impressione com o sangue, ele vai espirrar em você de qualquer jeito. Se ela resistir, você perdeu. Caso contrário... procure-me. Vou lhe ensinar o que fazer depois!
£!


Escrito por £éo às 21h06
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Orfanato da Rua Wikkyborn

 

Algumas crianças têm o privilégio de viver a infância ao lado dos pais e do conforto do próprio lar. Eu não tive essa sorte e minha infância aconteceu enquanto eu morava em um orfanato na famosa Rua Wikkyborn.

As crianças eram tratadas com severidade e qualquer desrespeito ou mau comportamento era duramente repreendido. Porém, éramos crianças e era inevitável que ficássemos longe dos problemas, eles vinham até nós.

Quando algum garoto era pego fazendo algo de errado, ele levava broncas, às vezes palmatórias e por fim, passava parte do dia sem comer, trancado na sala de castigo.

A sala de castigo era temida, pois era o lugar mais estranho do orfanato. Havia algumas cadeiras de madeira e nenhum outro móvel. Não havia janelas e a única distração era observar um estranho quadro com um palhaço nada amistoso. Por ser o único adorno da sala, todas as crianças falavam do palhaço. Umas diziam que ele era assombrado, outras diziam que ele estava lá para nos observar e nos botar na linha, enfim, todas tinham uma coisa em comum em relação ao palhaço – medo.

Confesso que fui para aquela sala mais de uma vez. E confesso que a cada vez que entrei lá, tive a sensação de que o palhaço estava com suas feições mais duras e fechadas do que da última vez.

Certo dia, uma briga fez com que sete garotos fossem mandados para a sala do castigo, e eu era um deles. Ao entrarmos lá, ocupamos uma cadeira e começamos a falar do palhaço e da suspeita de que ele estava cada dia mais zangado. De fato estava.

Em um momento de distração, notamos que o olhar do palhaço estava inflamado e seu rosto tristonho havia se transformado em um sorriso vingativo de arrepiar os cabelos. Levantamos das cadeiras assustados, começamos a gritar por socorro, mas a porta estava trancada. Inocência a nossa em dar as costas para o temido quadro, ao olharmos de volta, nos demos conta de que a moldura estava vazia, e o palhaço estava de pé, diante de nós.

Os gritos foram substituídos por lágrimas, as quais foram inúteis. O palhaço pegou um garoto por vez. Uns foram mordidos na garganta e seus corpos largados no chão com convulsões e espasmos que antecederam a morte. Outros tiveram alguns membros quebrados antes de serem asfixiados pelas mãos cobertas por luvas. Enquanto o palhaço, com garras as quais eu não imaginei que existiam, dilacerava o penúltimo garoto, eu ajoelhei no chão implorando pelo seu perdão. Disse a ele que faria qualquer coisa que ele quisesse. Prometi nunca mais ofendê-lo. Após largar o garoto no chão com parte de suas entranhas para fora, ele se aproximou de mim com um sorriso desumano e olhos predatórios. Tive o corpo erguido do chão por uma única mão do palhaço e em seguida com a outra ele fez sinal de silêncio. Senti a força de sua mão apertando minha garganta a ponto do ar não mais chegar aos pulmões. Antes de perder a consciência, pude ouvir sua voz entrando em minha mente. Ele dizia que pouparia minha vida caso eu demonstrasse maior respeito aos quadros. Disse que eu deveria adornar minha casa com o maior número de quadros que fossem possíveis, tornando-me o maior colecionador do mundo. E foi ouvindo essas palavras que perdi a consciência.

Sou o Lorde Dorian Gray e fui considerado o maior colecionador de quadros do mundo. Aprendi a gostar e a respeitar os quadros a ponto de desejar que meu próximo quadro seja um auto-retrato.

 

£!



Escrito por £éo às 20h09
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