Pessoas de sorte

 

Não sei dizer quando tudo começou, nem mesmo consigo lembrar quando me dei conta disso. Apenas sei que certo dia, tive um estalo e conclui.

A chuva, ou melhor, o temporal que desaba no dia em que colocou as roupas no varal. Ou então, esse mesmo temporal que cai impiedosamente sobre sua cabeça, no dia em que gastou uma fortuna no cabeleireiro. E aquele dia em que esse temporal desabou sobre você, no mesmo dia em que teve uma importante entrevista e você, já puto da vida, estava com as mãos sujas trocando o pneu do seu carro, que furou instantes antes? E é claro que, no meio dos xingamentos, blasfêmias e pontapés, você vai dizer em certo momento: “Era só o que faltava!”.

A morte de um ente querido justamente naquela semana que precisa se concentrar para uma importante prova. A concentração vai para o espaço, assim como o resultado da prova. E o pior, a dor da perda permanece e a sensação que fica para fazer companhia é a de que tudo foi em vão. Seria mesmo?

Maldito azar, dizemos.

Mas que falta de sorte, falamos.

Podemos perder um ônibus, fazer uma hora extra no momento em que o chefe procurava alguém para jogar mais trabalho. Podemos então, nos declarar para a pessoa que amamos no dia em que ela começa a namorar outra pessoa. Sermos multados por questão de cinco minutos, e o pior... foram realmente cinco minutos.

E não importa o que fazemos da nossa vida. Não importa a cor da nossa pele. Não há diferença se iremos esbravejar ou desabar em lágrimas diante de um acontecimento como esse. Não faz diferença se somos homens, mulheres, gordos, altos, ricos ou idosos. Isso acontece com todos e não há um só dia que coisas como essas deixarão de acontecer.

E então, volto a lhe perguntar: Seria você e as pessoas que passam por momentos como esse, azaradas? Estariam todos com má sorte?

Ou seriam pessoas sortudas. Pessoas escolhidas a, depois de um tempo, perceberem que em tempos como esse é que aprendemos a viver a vida. Situações como essa que nos fazem corrigir pequenos erros e seguir por caminhos melhores. Em momentos como esse é que aprendemos a superar os problemas. Aprendemos a ser mais fortes do que éramos. Em tempos como esses nós aprendemos a não desistir, aprendemos a amar com mais intensidade. Aprendemos a viver.

Lembro desses tempos, como os tempos onde tive sorte; sorte para ser quem eu sou hoje.

£!



Escrito por £éo às 13h47
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